Cronograma de pagamento: 30% para começar, 70% ao finalizar e a nacionalização

Uma importação não é paga de uma vez. Entenda os três momentos de desembolso, quanto representa cada um e como organizar o caixa para não ser pego de surpresa.

Equipe FOB Partners3 min de leitura

Pessoa segurando carteira de couro com notas de dinheiro
Foto: Nick Pampoukidis / Unsplash

Uma das perguntas mais importantes — e menos feitas — antes de importar é: "quando eu pago cada parte?". O valor total nacionalizado é um número; o fluxo de caixa é outro. Saber a diferença evita o cenário em que o container chega e o dinheiro dos impostos não.

A estrutura em três momentos

Pegue uma importação com custo nacionalizado de R$ 150.000. Em uma proporção típica, a mercadoria (o que vai para a fábrica) representa cerca de 45% desse total; os outros 55% são frete, impostos, despesas de nacionalização e serviço.

Momento 1: sinal para iniciar a produção

Com o pedido confirmado, a fábrica recebe 30% do valor da mercadoria. É o compromisso que faz a produção começar.

No exemplo: mercadoria ≈ R$ 67.500 → sinal de R$ 20.250, no dia 0.

Momento 2: saldo na finalização

Com a produção concluída e a inspeção aprovada, os 70% restantes são pagos — antes do embarque. Esse é o ponto em que o pagamento condicionado à inspeção protege você: se o lote não passou, o saldo não sai.

No exemplo: R$ 47.250, por volta do dia 35 a 45.

Momento 3: nacionalização

Com o navio chegando, entram impostos, frete (se não foi pago antes), despesas portuárias, despachante, transporte e o serviço de quem opera. É a maior parcela e a que mais surpreende quem não planejou.

No exemplo: R$ 82.500, entre 35 e 60 dias depois do embarque — ou seja, por volta do dia 75 a 100.

Visualizando o fluxo

  • Dia 0: R$ 20.250 (13,5% do total)
  • Dia ~40: R$ 47.250 (31,5%)
  • Dia ~85: R$ 82.500 (55%)

Mais da metade do dinheiro sai quase três meses depois do início — e justamente quando o produto ainda não começou a vender. Esse intervalo é o que define se a importação cabe ou não no caixa da empresa.

O câmbio no meio do caminho

Os dois primeiros pagamentos são em dólar (ou yuan), convertidos no dia do fechamento do câmbio. Se o real desvalorizar entre o sinal e o saldo, o saldo fica mais caro. Para quem quer previsibilidade, vale travar o câmbio do valor total da mercadoria logo no início, via contrato de câmbio futuro — custa um pouco, elimina a surpresa.

Os impostos são calculados em reais sobre o valor da carga convertido pela taxa do dia do registro da declaração de importação. Variação cambial mexe neles também.

Como organizar o caixa

Três hábitos que separam quem importa com tranquilidade de quem importa com aflição:

  1. Reserve a nacionalização no dia do sinal. Trate os 55% como já comprometidos, mesmo que só saiam em 80 dias.
  2. Não conte com a venda do lote para pagar o próprio lote. A primeira venda acontece depois do último pagamento.
  3. Crie uma conta separada para importação. Misturar com o caixa operacional é o jeito mais fácil de "usar" o dinheiro dos impostos sem perceber.

Para quem opera com a FOB, esse cronograma já vem mapeado na análise de viabilidade, com as datas e os valores estimados de cada parcela. Não é só saber quanto custa — é saber exatamente quando.

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